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Documentos históricos: o que são e para que servem?

Atualizado: 26 de mai.

Descubra a importância de um acervo histórico organizado nas estratégias de qualquer tipo de negócio

Miniaturas de aeronaves do acervo histórico da GOL, preservadas como parte da memória e da trajetória da companhia. Fonte: Acervo Raiz.
Miniaturas de aeronaves do acervo histórico da GOL, preservadas como parte da memória e da trajetória da companhia. Fonte: Acervo Raiz.

Quando se fala em documento histórico, muitas pessoas ainda imaginam papéis antigos, amarelados pelo tempo e guardados em arquivos pouco acessados. Mas o conceito vai muito além disso. Fotografias, cartas, campanhas publicitárias, registros audiovisuais, atas, publicações institucionais, objetos digitais e até trocas de e-mails podem adquirir valor e ser considerado um documento histórico ao longo do tempo.


Na Memória Empresarial e na Memória Institucional, esses registros ajudam a preservar identidades, organizar informações estratégicas e fortalecer reputações. Um acervo histórico também pode apoiar decisões, sustentar processos de comunicação e contribuir para a gestão do conhecimento dentro das organizações.


Neste artigo, você vai entender o que é um documento histórico, conhecer exemplos de documentos históricos empresariais e institucionais e descobrir como um acervo histórico organizado pode ser uma ferramenta estratégica de gestão da informação, produção de conhecimento e geração de valor para instituições e empresas.


Na Memória Empresarial e na Memória Institucional, é nos documentos históricos que estão as informações para a construção das narrativas sobre uma marca, uma empresa, uma categoria, um tema.


Este artigo vai explicar o conceito de documento histórico, trazer exemplos de documentos históricos empresariais, mostrar como um acervo documental organizado serve como engrenagem propulsora nos negócios e contar como as empresas devem cuidar dele. Para conhecer as vantagens competitivas que a organização e a extroversão de acervos históricos podem oferecer, continue a leitura.


O que são documentos históricos?


Documentos históricos são registros de informações ou vestígios de um tempo passado (mesmo que recente) preservados até o presente. São materiais que ajudam a contar histórias, compreender contextos e comprovar acontecimentos.


De acordo com o Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística, publicado pelo Arquivo Nacional:

“documento é a unidade de registro de informações, qualquer que seja o suporte”.

Fotografias, objetos, filmes, anúncios publicitários, gravações sonoras, e-mails e arquivos digitais também podem adquirir valor histórico ao longo do tempo.


O conjunto desses registros forma um acervo histórico, que funciona como fonte de informação para diferentes tipos de pesquisa: desde estudos acadêmicos até produções audiovisuais, exposições, livros comemorativos e projetos de memória empresarial e institucional.


Um exemplo clássico de documento histórico é o Codex Alexandrinus, pergaminho manuscrito em grego que reúne parte do texto da Bíblia. Atualmente, ele está exposto no Museu Britânico e corresponde à imagem mais tradicional que costuma vir à mente quando pensamos em documentos históricos.

pergaminho Codex Alexandrinus - documento histórico
Exemplo clássico de documento histórico - pergaminho Codex Alexandrinus

Já no Brasil, um exemplo curioso é a pena utilizada pela Princesa Isabel para assinar a Lei Áurea. O objeto faz parte do acervo do Museu Imperial e mostra que um documento histórico também pode ter suportes menos convencionais: nesse caso, ouro 18 quilates.


Exemplos de documentos históricos institucionais e empresariais


Documentos históricos institucionais e empresariais são registros que preservam a memória de uma organização. Eles podem assumir diferentes formatos, entre eles:

  • rótulos de produtos

  • troféus

  • fotografias

  • folhetos institucionais

  • jingles de rádio

  • anúncios publicitários

  • comerciais de televisão

  • brindes

  • notícias de jornal

  • apresentações

  • planilhas

  • memes produzidos no contexto da comunicação de uma marca


A maior parte dessa documentação é produzida no cotidiano de trabalho das instituições. Uma campanha publicitária, a atualização de uma embalagem, o registro fotográfico de um evento interno ou a publicação de uma revista institucional, por exemplo, podem adquirir valor documental ao longo do tempo.


Como explica o historiador e museólogo Ulpiano Bezerra de Meneses, os objetos passam a exercer função documental a partir do olhar de quem os interpreta e atribui sentido a eles. Em outras palavras, um documento histórico não é definido apenas por sua idade ou formato, mas pela capacidade de servir como suporte de informação sobre determinado contexto, acontecimento ou percurso.


Quando organizados desde sua produção, esses materiais preservam informações importantes sobre o contexto em que foram criados. Em projetos de memória institucional e de memória empresarial, é comum criar fluxos de trabalho para que as equipes cataloguem os documentos produzidos no dia a dia, incorporando a preservação documental à rotina da organização.


Seu valor está justamente na capacidade de registrar práticas, experiências e transformações ao longo do tempo, mesmo em períodos recentes.


Por que os documentos históricos são importantes?


Os documentos funcionam como fontes de informação para diferentes públicos e áreas dentro das organizações. Eles podem ser utilizados por:

  • colaboradores da empresa

  • prestadores de serviço

  • historiadores empresariais

  • agências de publicidade

  • estudantes

  • associados

  • pesquisadores


Nesses registros encontram-se dados, imagens e informações que apoiam atividades cotidianas e estratégicas de diferentes setores, especialmente:

  • Comunicação

  • Marketing

  • Recursos Humanos

  • Inovação

  • Jurídico


Esses registros ajudam empresas e instituições a compreenderem sua formação e desenvolvimento ao longo do tempo. A ata de fundação identifica o início das atividades da organização, fotografias antigas revelam mudanças na tecnologia e nos espaços de trabalho, troféus registram reputações construídas ao longo do tempo, campanhas publicitárias mostram transformações de linguagem, posicionamento e público-alvo, já vídeos e registros internos ajudam a acompanhar a presença e a história de colaboradores dentro da instituição.


Projetos de pesquisa histórica também mostram como documentos aparentemente simples podem revelar mudanças culturais e sociais importantes. Em uma pesquisa realizada pela Raiz sobre a história da margarina no Brasil, embalagens das décadas de 1940 a 1980 permitiram identificar disputas simbólicas entre a manteiga e o novo produto vegetal. Um decreto de 1946 determinava, por exemplo, que a palavra “margarina” deveria aparecer em destaque sobre fundo verde nos rótulos, o que ajuda a explicar por que as embalagens do período eram majoritariamente dessa cor, muito diferentes das atuais.



latas de margarina Claybom - documentos historicos
Embalagens metálicas de margarina produzidas e comercializadas na década de 1950.

Para que servem os documentos históricos?


Quando fazem parte de um acervo organizado, esses registros passam a atuar como ferramentas de gestão da informação e do conhecimento dentro das organizações. Eles podem apoiar diferentes áreas da organização, oferecendo dados, evidências e referências para atividades estratégicas e cotidianas.


No setor jurídico, por exemplo, esses materiais podem servir como prova em ações envolvendo marcas, publicidade, propriedade intelectual e relações de consumo. Foi o que aconteceu com a Nestlé em uma disputa relacionada ao uso da tradicional caneca vermelha de Nescafé. Como o acervo histórico da empresa estava organizado, catalogado e digitalizado, foi possível reunir rapidamente anúncios, rótulos, fotografias, comerciais e objetos que comprovavam o uso histórico do símbolo pela marca.


Na área de Recursos Humanos, a documentação histórica fortalece ações de integração, endomarketing e cultura organizacional. Conhecer a história da empresa ajuda colaboradores a compreenderem seu papel dentro da organização, desperta memórias afetivas relacionadas às marcas e amplia o sentimento de pertencimento. Preservar a documentação histórica também é uma forma de valorizar o trabalho das pessoas que construíram a instituição.


Os documentos históricos também são fundamentais para construir narrativas identitárias e fortalecer reputações institucionais. Foi a partir da pesquisa em acervos públicos e privados, incluindo a documentação histórica da Fiat, que a exposição Percorsi Italiani: 120 anos de história conectou a história da marca no Brasil à história de Belo Horizonte e da imigração italiana. O projeto contou com pesquisa documental da Raiz e curadoria de Cintia Reis.

Exposição Percorsi Italiani: 120 anos de história, Casa Fiat de Cultura, Belo Horizonte. Fotografia: Leo Lara. Disponível em: Portal Belo Horizonte
Exposição Percorsi Italiani: 120 anos de história, Casa Fiat de Cultura, Belo Horizonte. Fotografia: Leo Lara. Disponível em: Portal Belo Horizonte

Além de preservar a memória de uma organização, cuidar de registros é também preservar parte da história da sociedade. Afinal, empresas e instituições fazem parte do contexto social em que atuam, pois influenciam comportamentos, participam de transformações culturais e deixam marcas no tempo.


Quais são os tipos de documentos históricos?


A documentação histórica pode ser classificada tanto pelos seus suportes materiais quanto pelos seus gêneros documentais. Isso significa que eles variam não apenas em conteúdo, mas também no formato, na linguagem e no material em que foram produzidos.


1. Tipos de suporte documental

Os documentos podem ter diferentes suportes, como:

  • papel

  • tecido

  • metal

  • madeira

  • película de filme

  • arquivos digitais natos digitais, como JPG, PDF, PPT e outros formatos eletrônicos


2. Gêneros documentais


Os gêneros documentais agrupam materiais com características semelhantes de linguagem, formato e suporte. Entre os principais estão:

  • textual

  • iconográfico

  • sonoro

  • audiovisual

  • tridimensional


Confira abaixo alguns exemplos de documentos históricos por gênero:


Documentos textuais

Atas, cartas, relatórios, patentes e revistas fazem parte do gênero textual. Um exemplo é a patente de 1966 do primeiro chinelo Havaianas, que descrevia detalhadamente o novo modelo criado pela marca. Esse tipo de registro ajuda a compreender produtos, linguagens e estratégias de diferentes épocas.


Patente do chinelo Havaianas (1966). Documento histórico do acervo da Alpargatas. Fonte: seção “Nossa História”, Alpargatas
Patente do chinelo Havaianas (1966). Documento histórico do acervo da Alpargatas. Fonte: seção “Nossa História”, Alpargatas

Documentos iconográficos

Fotografias, cartazes, anúncios e ilustrações fazem parte do gênero iconográfico. As fotografias de 1921 da primeira fábrica da Nestlé em Araras (SP), por exemplo, ajudam a documentar o início das operações da empresa no Brasil. Já cartazes publicitários de Creme de Leite dos anos 1990 revelam estilos de comunicação e consumo daquele período.


Documentos sonoros

Jingles, entrevistas gravadas e registros de áudio também podem se tornar documentos históricos. O famoso jingle do Guaraná Antarctica lançado em 1991 - “pipoca na panela começa a arrebentar, pipoca com sal, que sede que dá...” é um exemplo de documento sonoro presente na memória afetiva de toda uma geração. Entrevistas gravadas com colaboradores e criadores de marcas também preservam informações importantes sobre a cultura organizacional.


Documentos audiovisuais

Comerciais de televisão, vídeos institucionais e registros de eventos empresariais integram o gênero audiovisual. Entre os exemplos mais conhecidos está a campanha dos mamíferos da Parmalat nos anos 1990, que se tornou um marco da publicidade brasileira.


Indumentária

Peças de vestuário podem funcionar como fontes históricas ao revelar hábitos, costumes, tecnologias têxteis e transformações culturais de uma época. Uma camiseta da Hering de 1910, preservada no Museu Hering, ajuda a compreender, por exemplo, como determinadas roupas eram utilizadas originalmente como peças íntimas antes de se tornarem itens do vestuário cotidiano.


Camiseta Hering, c. 1910. Acervo do Centro de Memória Ingo Hering. Fonte: Fundação Hermann Hering.
Camiseta Hering, c. 1910. Acervo do Centro de Memória Ingo Hering. Fonte: Fundação Hermann Hering.

Documentos tridimensionais

Objetos tridimensionais preservam informações importantes sobre consumo, design, comportamento, tecnologia e comunicação institucional. Os primeiros bonecos de Mickey Mouse e Minnie Mouse produzidos nos anos 1930, por exemplo, ajudam a compreender a consolidação da cultura de personagens no século XX e estão preservados no Walt Disney Archives.


Bonecos de Mickey e Minnie Mouse, década de 1930. Fonte: Revista Quem
Bonecos de Mickey e Minnie Mouse, década de 1930. Fonte: Revista Quem

Outro exemplo é um ônibus escolar da década de 1950, restaurado e conservado como parte do acervo do Centro de Memória do Colégio Dante Alighieri. O objeto funciona como documento histórico ao revelar aspectos da vida escolar, da mobilidade urbana e da experiência estudantil em diferentes períodos.


Ônibus escolar do Colégio Dante Alighieri, 1962, restaurado pelo Centro de Memória. Fonte: site Colégio Dante Alighieri.
Ônibus escolar do Colégio Dante Alighieri, 1962, restaurado pelo Centro de Memória. Fonte: site Colégio Dante Alighieri.

Como cuidar dos documentos históricos?

Não basta apenas guardar os registros. Para que um acervo realmente gere valor, é necessário desenvolver ações de recuperação, organização, preservação e disponibilização dos materiais.


O cuidado com a documentação histórica exige técnicas, metodologias e profissionais especializados. Historiadores, arquivistas, museólogos, bibliotecários, conservadores, restauradores, profissionais de tecnologia da informação e designers costumam atuar de forma integrada em projetos de memória empresarial e institucional.


Entre as principais etapas desse trabalho estão:

  1. diagnóstico do acervo

  2. coleta e identificação de documentos

  3. higienização e desmetalização

  4. conservação e restauração

  5. classificação e catalogação

  6. digitalização

  7. acondicionamento e armazenamento adequados

  8. organização de sistemas de busca, acesso e consulta


Equipe da Raiz durante o processo de tratamento documental de acervos de memória, etapa fundamental para sua organização, preservação e acesso. Fonte: Acervo Raiz.
Equipe da Raiz durante o processo de tratamento documental de acervos de memória, etapa fundamental para sua organização, preservação e acesso. Fonte: Acervo Raiz.

Cuidar da documentação histórica é preservar experiências, referências e evidências importantes sobre a atuação das organizações e sua relação com a sociedade. Empresas e instituições fazem parte da construção da história contemporânea e seus acervos também são patrimônios culturais e informacionais.


A Raiz Projetos e Pesquisas de História desenvolve projetos de organização, tratamento técnico e valorização de acervos históricos empresariais e institucionais, criando soluções para preservar, pesquisar e extroverter documentos de forma estruturada e acessível. Entre em contato conosco para tornar sua documentação histórica estratégica para o seu negócio.


Perguntas e respostas

O que são documentos históricos?

São registros de informações ou vestígios de um tempo passado (mesmo que um passado recente) que permaneceram conservados até o presente. É tudo aquilo que nos ajuda a contar uma história, a compreender e comprovar um acontecimento.

Para que servem os documentos históricos nas organizações?

Os documentos históricos fornecem dados, informações e imagens para respaldar as mais diversas áreas (comunicação corporativa, RH, jurídico, marketing) nas atividades cotidianas de uma organização.

Quais são os tipos de documentos históricos?

Os documentos históricos podem ser de diversos tipos, tais como papel, tecido, metal, madeira, película de filme, documentos nato digitais (arquivos jpg, pdf, ppt, etc.) Já seus gêneros podem ser textuais, iconográficos, sonoros, audiovisuais ou tridimensionais.

Como cuidar dos documentos históricos?

Não basta apenas guardar os documentos históricos. É preciso desenvolver um trabalho de recuperação, de organização e, em seguida, projetos de uso do acervo, para que sejam utilizados de forma estratégica.


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