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Pesquisa sócio-histórica para cinema e TV

Atualizado: 12 de dez. de 2023

Entenda como o trabalho de pesquisadores é estratégico para produções audiovisuais


cinema
foto: Jake Hills

Novelas de época, filmes de guerra, documentários biográficos e comerciais retrô são alguns exemplos de como imaginação e história se entrelaçam nos bastidores das produções audiovisuais. A pesquisa sócio-histórica é uma parte essencial da criação dessas produções, fornecendo precisão, autenticidade e profundidade às narrativas. Combinando enfoques da sociologia e da história, esse tipo de estudo desvela aspectos sociais, políticos e culturais ao longo da história, pintando um retrato vívido do passado para dar vida ao presente.


Além de filmes e séries, as pesquisas sócio-históricas se aplicam a jogos de videogame e até mesmo à publicidade e à educação, oferecendo um contexto para os temas abordados. Por trás disso, os pesquisadores cinematográficos desempenham um papel fundamental na criação de ambientes visuais fidedignos e na preservação de acervos históricos.


Neste artigo, você vai descobrir a importância da pesquisa sócio-histórica na indústria cinematográfica e televisiva e também vai saber como as análises desse tipo se tornaram uma ferramenta essencial para a criação de conteúdo autêntico. Além disso, vai entender como a conservação e organização dos vídeos contribui para o nosso conhecimento sobre a sociedade e a função de produtoras, emissoras de TV e das agências de publicidade na preservação da memória audiovisual. Se este assunto interessa a você, continue lendo.


O que é e para que serve a pesquisa sócio-histórica

A pesquisa sócio-histórica é uma análise qualitativa que combina conceitos e abordagens tanto da sociologia quanto da história. Seu propósito central é investigar e compreender um escopo específico - que pode ser uma instituição, uma marca, um produto ou um serviço, uma categoria ou até mesmo um determinado público ou assunto - e sua interconexão com contextos mais amplos. Esse tipo de pesquisa busca examinar as transformações históricas das dinâmicas sociais, explorando as interações entre os aspectos políticos, econômicos e culturais em diferentes períodos de uma sociedade ou de um grupo social.


Nas produções audiovisuais, a pesquisa sócio-histórica desempenha uma função fundamental para a criação de conteúdo rico em detalhes históricos e contextuais, o que contribui para uma experiência mais imersiva e informativa para o público. Ela pode ser aplicada a uma ampla gama de formatos, incluindo:


Seriados e filmes: seja um drama histórico, um filme biográfico, uma série documental ou de ficção, a pesquisa sócio-histórica é crucial para garantir a precisão e conformidade das narrativas, ambientação e personagens. Antes mesmo da definição da trama, a pesquisa pode gerar insights para a definição dos melhores caminhos a serem seguidos para uma obra audiovisual destinada a um público específico.


Novelas: da mesma forma que nos seriados e nos filmes, a pesquisa sócio-histórica desempenha um papel importante na construção de enredos, personagens, cenários e figurinos de novelas. Mesmo que as novelas não sejam de época e estejam situadas no presente, esse tipo de análise pode contribuir significativamente para enriquecer a representação dos contextos sociais e culturais tornando as histórias mais envolventes e realistas.


Inclusive é muito comum que os escritores de novelas sejam acompanhados desde o início da concepção da trama por uma equipe de pesquisadores que respaldam as abordagens de temas específicos. Foi o caso dos temas médicos em Viver a vida, de Manoel Carlos, veiculada na Rede Globo, ou os temas policiais de Poder paralelo, de Lauro César Muniz, veiculada na rede Record. Além de pesquisa bibliográfica e de campo, as obras contaram com entrevistas e consultoria de profissionais especializados em cada uma dessas áreas.


Além de mapear os temas e tendências, indicar direções e levantar fontes relevantes antes da novela começar a ser escrita, os pesquisadores cinematográficos ficam de plantão para atender os autores em caso de dúvidas, para escrever algumas cenas ou reescrever os originais.


Jogos: nos videogames, especialmente para aqueles que são históricos, a pesquisa sócio-histórica é importante para recriar cenários mais detalhados e genuínos, oferecendo uma experiência mais envolvente aos jogadores.


A série Assassin's Creed é um exemplo de jogo de videogame desse tipo. Cada jogo transporta os jogadores para uma época e local históricos específicos, como a Itália Renascentista, o Antigo Egito, a Revolução Americana, a Era Viking e outros períodos da história mundial. Além da jogabilidade, a série destaca-se por sua atenção aos detalhes históricos: figurinos, costumes, cultura, arquitetura, profissões e personagens. Esses detalhes fazem com que os jogadores fiquem imersos em épocas passadas. A pesquisa histórica das equipes de desenvolvimento é profunda e muitas vezes conta com uma parceria com historiadores.


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Assassin's Creed é um exemplo de jogo de videogame cuja riquesa de detalhes demanda uma pesquisa sócio-histórica robusta

Publicidade e marketing: em campanhas publicitárias ou comerciais, a pesquisa sócio-histórica é essencial para garantir a confiabilidade na representação de épocas passadas, se for este o caso, ou ainda auxiliar nas estratégias considerando a história da marca com seu público e os gatilhos de memória afetiva.


A campanha #PresasNos80 do Guaraná Antarctica tinha como objetivo sensibilizar o público para um dado alarmante: que o investimento feito no futebol feminino em 2021 era o mesmo feito no futebol masculino em 1980. O comercial sugeria que as jogadoras estavam “presas” naquela década e usou a moda, os dispositivos eletrônicos, as fontes tipográficas daquela época para dar ao consumidor a sensação de volta no tempo. A embalagem da edição limitada do produto era um resgate dos anos 80 e o valor de 100% das vendas foi revertido para uma ONG de apoio ao futebol feminino.


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Comercial Presas nos 80 do Guaraná Antarctica

Vídeos educativos: em vídeos educativos, a pesquisa sócio-histórica é usada para transmitir informações corretas sobre eventos, culturas e contextos históricos, auxiliando na aprendizagem e compreensão do público.


Programas de TV: tanto para os programas jornalísticos como para os programas de entretenimento televisivo, a pesquisa sócio-histórica serve como uma fonte valiosa de informações para os apresentadores e sua audiência. Dados, informações e imagens históricas tornam o conteúdo das reportagens mais embasados e cativantes. Game-shows com conteúdo histórico costumam ser recorde de audiência e geram um sentimento de nostalgia do público.


Um exemplo desse tipo de recurso é o TV Teca, novo quadro do programa Caldeirão com Mion, que traz um game-show sobre a história da Rede Globo. Nele, Marcos Mion faz perguntas para os humoristas participantes ao que eles podem responder com a resposta correta (caso saibam) ou inventando uma história (que pareça verdade). A missão dos famosos que estão competindo é descobrir se eles acertaram ou inventaram a resposta.

“O TV Teca mexe direto com a nossa memória afetiva. A imagem e o som têm o poder de nos transportar para lugares e épocas diferentes de nossas vidas, ainda mais o acervo tão poderoso e significativo da Globo”, contou Marcos Mion em matéria sobre o novo quadro.


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O quadro TV Teca do Caldeirão com Mion é um game-show sobre a história da Globo

Por que a pesquisa sócio-histórica é importante para cinema e TV?


A pesquisa sócio-histórica tem uma contribuição estratégica para o cinema e para a TV. Além de oferecer precisão histórica, enriquece narrativas e estabelece conexões mais profundas com o público, elevando a qualidade do conteúdo audiovisual. Ao oferecer representações adequadas de épocas passadas, contextualiza cenários, figurinos, linguagem e comportamentos, tornando a narrativa envolvente para os espectadores.


Esses estudos também fornecem detalhes valiosos sobre eventos históricos, dinâmicas sociais e culturais específicas, o que enriquece enredos com camadas de significado. Isso resulta em personagens mais autênticos e na criação de ambientes visualmente fiéis ao período retratado. Além disso, permitem a abordagem sensível de questões sociais, políticas e culturais relevantes ao longo do tempo, evitando estereótipos simplificados e anacronismos para uma representação mais respeitosa das diversas realidades.


Esse tipo de estudo pode ainda mapear assuntos, públicos, marcas e contextos específicos para o planejamento das obras audiovisuais de maior interesse para a sociedade, gerando ideias e insights para possíveis direcionamentos.


Como aplicar as pesquisas sócio-históricas nas produções audiovisuais?


Na Raiz, as pesquisas sócio-históricas utilizam quatro métodos de investigação:


  1. o estudo em fontes bibliográficas

  2. a análise de documentos históricos

  3. a pesquisa de campo em lugares de memória

  4. a coleta de relatos orais, também chamada de história oral


Cada um desses métodos atende a metas e abordagens únicas, e sua combinação pode variar conforme os objetivos estabelecidos no projeto, bem como as limitações de tempo e recursos financeiros disponíveis.


Os pesquisadores cinematográficos que desenvolvem as pesquisas sócio-históricas são os responsáveis por apoiar a direção de arte, os produtores, os figurinistas e os roteiristas nas fases de pré-produção, de produção e de pós-produção. A eles cabe também a definição dos métodos de investigação a serem utilizados.


Memória audiovisual


Além da importância do papel da pesquisa nos projetos audiovisuais, também temos que lembrar a relevância das novelas, das séries, dos jornais televisivos, dos comerciais, dos filmes de ficção e dos documentários como fontes de informação, como documentos históricos, registros sobre uma determinada época.


Em entrevista para o Sesc, Mônica Almeida Kornis, doutora em Ciências da Comunicação na área de Cinema, Rádio e Televisão pela ECA, responsável pelo acervo audiovisual do Centro de Pesquisa e Documentação da FGV (RJ), afirma que "o cinema e a televisão são ao mesmo tempo espelho e reflexo da sociedade e da história".


Neste sentido, a conservação e organização dos acervos audiovisuais são fundamentais para as próprias pesquisas sócio-históricas, já que servem de fonte valiosa de dados, de informações e de imagens sobre um determinado tema.


As produtoras, agências de publicidade e emissoras de televisão podem e devem investir na preservação de seus acervos que, uma vez disponibilizados para os pesquisadores internos, podem servir de ferramenta estratégica para o desenvolvimento dos novos estudos. Além disso, o acesso desses conteúdos aos pesquisadores acadêmicos e público geral torna essas obras parte da memória da sociedade, trazendo recortes das visões, dos costumes, das sensibilidades, das ideias de uma época ou sobre um tema.


A TV Cultura tem um Centro de Documentação que é responsável pela preservação, organização, digitalização e pela disponibilização de seu acervo audiovisual. É possível encontrar matérias jornalísticas, programas da emissora e telecursos de várias disciplinas armazenadas no local, acessíveis para pesquisa. Para usar este acervo, basta entrar em contato pelo e-mail acervo@tvcultura.com.br.


Profissionais e empresas especializadas podem fazer uma diferença significativa tanto na qualidade das pesquisas sócio-históricas quanto na orientação a respeito da salvaguarda das obras audiovisuais como patrimônio. Se você considera esse tipo de trabalho estratégico, conte com a experiência da Raiz Projetos e Pesquisas de História para desenvolver esse tipo de projeto.


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