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Memória Organizacional para o Terceiro Setor

Atualizado: 23 de ago. de 2023

ONGs, fundações e institutos podem potencializar sua atuação por meio da preservação de suas histórias e da gestão do conhecimento


Foto: Gayatri Malhotra

Atualmente as organizações do terceiro setor têm um papel muito importante na sociedade, porque desempenham funções de prestação de serviços através de ações sociais relacionadas à educação, saúde, meio ambiente e assistência social. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), existem no Brasil 815.676 entidades ativas no terceiro setor.


Organizações não governamentais (ONGs), fundações, associações e institutos são alguns exemplos de entidades que promovem ações de mediação e articulação social nas esferas públicas e que podem se beneficiar da memória organizacional e da gestão do conhecimento para potencializar suas atividades.


Neste artigo, você vai descobrir o que é memória organizacional e como ela pode ser uma ferramenta estratégica para o terceiro setor, vai conhecer a relação entre memória organizacional e a gestão do conhecimento e entender como começar um projeto deste tipo.


Se este assunto interessa a você, continue a leitura.


Memória Organizacional e o Terceiro Setor


Memória organizacional é o conjunto de conhecimentos, experiências e informações adquiridas por uma organização ao longo de sua trajetória. Esse legado está registrado em diversos tipos de documentos históricos da instituição e também é internalizado pelos colaboradores, alunos, ativistas e outros membros que fizeram ou fazem parte dela.


Denominada também como memória institucional, a memória organizacional desempenha uma função estratégica ao permitir que as entidades preservem sua história e a utilizem para promover eficiência na gestão administrativa e, consequentemente, sustentabilidade em sua atuação. Entre as organizações que muito podem se beneficiar dos projetos de memória organizacional estão aquelas que compõem o terceiro setor.


O terceiro setor é uma área da sociedade que abrange organizações e atividades que não fazem parte do setor público (primeiro setor) e nem do setor privado (segundo setor). Essas organizações são entidades independentes sem fins lucrativos e de interesse público, também conhecidas como organizações não-governamentais (ONG) ou organizações da sociedade civil (OSC).


Seu objetivo principal é causar impacto positivo na sociedade, desempenhando um papel importante na promoção de mudanças sociais, na defesa de direitos, na prestação de serviços humanitários e na contribuição para o desenvolvimento sustentável, muitas vezes preenchendo lacunas deixadas pelos setores público e privado.


Alguns exemplos de instituições do terceiro setor são:

  • Organização da Sociedade Civil (OSC)

  • Fundações

  • Associações

  • Institutos

  • Entidades ambientais

  • Entidades de assistência social

  • Organizações de voluntariado

  • Instituições de educação e cultura

  • Organizações de saúde

  • Grupos comunitários

Ao resgatar sua história e zelar pelo seu patrimônio, o terceiro setor reforça a sua identidade, sua missão, seus valores e sua reputação perante a sociedade e também ganha uma ferramenta estratégica de gestão que traz eficácia operacional e apoio na tomada de decisões. Além disso, a memória organizacional fortalece vínculos e o relacionamento, já que viabiliza o compartilhamento de conhecimentos produzidos pela instituição na defesa de alguma pauta específica e ativa as memórias afetivas dos atores envolvidos nas ações por ela desenvolvidas, tais como funcionários, ativistas, colaboradores e os beneficiados pelas ações.


Outro motivo para desenvolver projetos de memória institucional é que, ao organizar e extroverter o seu acervo histórico, o terceiro setor está atuando pela responsabilidade histórica e social, já que a sua atuação está inserida em um contexto temporal, local e social que também é resguardado indiretamente.


A Raiz Projetos e Pesquisas de História está trabalhando no resgate do acervo histórico audiovisual e iconográfico do Greenpeace Brasil. O objetivo é que a ONG, com atuação no país desde 1992, resgate sua história e tenha acesso às imagens e informações das ações realizadas ao longo de sua trajetória. Desta maneira, o seu legado pode ser repassado às futuras gerações de ativistas, considerando ideias criativas que deram resultado e os aprendizados com os erros do passado.

Negativos fotográficos do acervo do Greenpeace Brasil que passarão por tratamento

A documentação histórica organizada também pode servir de apoio para questões judiciais e também para reforçar a reputação da longa trajetória da ONG, além de deixar sempre viva e latente as suas origens, o porquê da sua existência, a sua identidade e a sua missão.


Ao preservar seu acervo institucional, o Greenpeace Brasil também resguarda a história do Brasil, da luta nacional pelo cuidado com o meio ambiente, dos povos originários e de outros movimentos parceiros, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).



MST no Greenpeace Media, portal que disponibiliza o acervo dada ONG

Terceiro Setor e a gestão do conhecimento


O conhecimento é o mais valioso patrimônio de qualquer organização. Quando esse ativo é cuidado e bem gerenciado, as instituições podem usar o valor intangível dos dados, das informações e das experiências disponíveis nos documentos históricos e outros registros para melhorar a administração e os processos de tomada de decisões, além de impulsionar a inovação. Isso torna possível um desempenho mais eficaz e bem-sucedido no longo prazo.


Algumas características do terceiro setor fazem com que a gestão do conhecimento seja especificamente importante para esse tipo de organização. Algumas delas são:


  • Foco em impacto social ou ambiental: O terceiro setor trabalha com questões ambientais e sociais desafiadoras. A gestão do conhecimento auxilia com informações valiosas sobre as causas, os problemas e as soluções destes desafios, permitindo uma abordagem mais profunda e, portanto, soluções mais eficazes para essas questões.

  • Recursos escassos: Organizações do terceiro setor costumam ter recursos escassos. Ao preservar a experiência da organização, a gestão do conhecimento otimiza o uso desses recursos, evitando retrabalho, preservando o conhecimento institucional independentemente de mudanças nas equipes, auxiliando na avaliação dos custo-benefício em decisões estratégicas e garantindo que as ações sejam econômicas e assertivas.

  • Articulação de diversos participantes: O terceiro setor precisa articular diversos grupos de pessoas tais como voluntários, doadores, ativistas, empresas e comunidades. A gestão do conhecimento facilita o vínculo, a comunicação, o compartilhamento de informações e a colaboração entre esses diferentes atores, promovendo sinergia e cooperação.

  • Transparência: Essencial para as organizações do terceiro setor é a transparência. Parte das atividades de gestão do conhecimento é documentar as ações, resultados e processos, o que contribui para a prestação de contas perante doadores, beneficiários e parceiros. A documentação também gera provas para a defesa em assuntos legais, além da articulação de argumentos sólidos.

  • Empoderamento dos grupos atendidos: O compartilhamento de informações e a educação das comunidades atendidas empodera as pessoas a respeito das suas questões e auxilia na busca por soluções.


Memória organizacional e gestão do conhecimento


A memória organizacional e a gestão do conhecimento estão intimamente relacionadas e são complementares dentro de uma instituição. Enquanto a memória organizacional foca no conjunto de experiências acumuladas ao longo da trajetória de uma instituição, a gestão do conhecimento se preocupa com os fluxos delas. Ambos os conceitos são compostos, na prática, de atividades de captura, armazenamento, compartilhamento e uso eficiente do conhecimento acumulado ao longo do tempo.


Segundo a professora Kimiz Dalkir, autora do livro Knowledge Management in Theory and Practice, a gestão do conhecimento se estrutura em três etapas:

  1. Criação ou captura

  2. Compartilhamento ou disseminação

  3. Aquisição ou aplicação


Na metodologia da Raiz Projetos e Pesquisas de História, essas etapas correspondem a:

  1. Organização de acervos: identificação, codificação, recolhimento e tratamento documental onde está registrado o conhecimento interno e know-how da instituição em questão

  2. Pesquisa sócio-histórica: estudos e contextualização do acervo organizado

  3. Extroversão de acervos: transformação do acervo organizado e da pesquisa sócio-histórica desenvolvida em produtos ou em uso corrente.


Como preservar a história no Terceiro Setor?


Agora que o conceito de memória organizacional já foi abordado, como se deve iniciar um projeto para preservar a história das organizações do terceiro setor?


O primeiro passo é pensar no escopo do projeto: qual história queremos zelar?

Em seguida, é preciso desenvolver a metodologia, estabelecer as etapas que serão contempladas, criar um cronograma de trabalho, capacitar a equipe ou contratar pessoas ou empresas especializadas em cada uma das etapas estabelecidas.


No projeto de organização do acervo histórico iconográfico e audiovisual do Greenpeace, também está prevista uma palestra de sensibilização sobre os potenciais da memória organizacional para os funcionários, ativistas e outras pessoas engajadas nas causas do ONG.


Sensibilizar os funcionários, as comunidades e outros agentes relevantes na trajetória dessa instituição também é uma etapa importante de projetos de memória organizacional de entidades do terceiro setor. O engajamento destes públicos tem uma força fundamental de impulsionamento que pode garantir o sucesso desse tipo de iniciativa.


Se você acredita que a memória organizacional pode auxiliar sua organização, entre em contato com a Raiz.



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