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Inteligência Artificial: como preservar histórias com responsabilidade e precisão

Atualizado: 21 de ago.

Descubra os potenciais da IA na Memória Empresarial e Institucional e como aplicá-la


Imagem: Igor Omilaev
Imagem: Igor Omilaev

A inteligência artificial (IA) já faz parte do nosso dia a dia. Há quem seja contra, há quem seja a favor. Independentemente das discussões que inundam a Internet, um fato é inquestionável: esta tecnologia vem gerando profundas mudanças no modo como realizamos nossas atividades e, no âmbito das organizações, também está provocando um grande impacto, especialmente na preservação histórica.


Cada vez mais presente em instituições públicas e privadas, a IA vem sendo usada para automatizar processos, ampliar o acesso a acervos e criar novas experiências de extroversão dos documentos históricos. Ao mesmo tempo, seu uso levanta questões éticas, técnicas e metodológicas que não podem ser ignoradas. Afinal, como garantir que essas ferramentas respeitem a complexidade dos processos históricos e a diversidade das trajetórias institucionais?


Neste artigo, apresentamos aplicações práticas da inteligência artificial em projetos de memória empresarial e institucional, abrangendo desde a pesquisa sócio-histórica até a organização e a extroversão de acervos históricos. Também refletimos sobre os cuidados essenciais para o uso responsável dessas tecnologias. Se você trabalha ou se interessa por projetos de memória, inovação e gestão do conhecimento, este artigo foi pensado especialmente para você.


O que é memória empresarial ou institucional e por que a IA importa nesse contexto


Memória empresarial ou memória institucional é a capacidade de uma organização zelar por sua própria história e pelo conhecimento construído e acumulado ao longo do tempo. Esse conjunto de registros, narrativas, documentos históricos e práticas refletem sua trajetória, valores e aprendizados da instituição.


Mais do que um recurso nostálgico ou meramente celebrativo, projetos de memória institucional são uma ferramenta estratégica. Eles contribuem para fortalecer a identidade e a reputação da organização, orientam decisões em diferentes áreas e geram conexão com públicos internos e externos. Além disso, cumprem um papel de responsabilidade histórica, ao preservar e dar sentido ao legado da instituição diante da sociedade.


Espaço Memória Petrobras é um projeto de memória institucional da Refinaria de Capuava. Foto: acervo Raiz
Espaço Memória Petrobras é um projeto de memória institucional da Refinaria de Capuava. Foto: acervo Raiz

Com a ampliação dos acervos históricos digitais e digitalizados e a crescente complexidade na gestão de informações, as tecnologias baseadas em inteligência artificial vêm se consolidando como aliadas importantes nesse campo. Soluções de IA já permitem automatizar tarefas repetitivas, identificar padrões em grandes volumes de dados, sugerir classificações e até gerar descrições iniciais de conteúdos, otimizando processos de organização de acervos e análise documental.


Além disso, a IA amplia as possibilidades de pesquisa, acesso e extroversão da memória institucional por meio de sistemas de busca mais inteligentes, assistentes virtuais, reconstrução de realidades do passado, interfaces interativas e recursos de tradução automática. Esses avanços ajudam a tornar os acervos mais vivos, acessíveis e significativos para diferentes públicos.


Mas é importante lembrar: a inteligência artificial não substitui a análise crítica, a curadoria sensível e o olhar contextual do trabalho humano. Ela atua como instrumento complementar, um apoio poderoso para historiadores, arquivistas, pesquisadores e equipes de comunicação que pensam a memória institucional como um ativo estratégico, cultural e educativo.


Inteligência Artificial para preservação da história


Os projetos de memória nas instituições costumam envolver três frentes principais: a pesquisa sócio-histórica, a organização e gestão de acervos e as ações de extroversão da memória. Cada uma dessas áreas pode ser significativamente potencializada com o uso da inteligência artificial, que amplia a agilidade dos processos de preservação da história, aprofunda as análises e torna os acervos mais acessíveis e dinâmicos.


PESQUISA SÓCIO-HISTÓRICA:


A pesquisa sócio-histórica é uma base importante para qualquer projeto de memória consistente. É ela que permite compreender, interpretar e dar sentido à trajetória de uma organização, seus marcos, personagens e transformações. Com o apoio da IA, esse campo ganha novos mecanismos para investigar, cruzar e analisar informações de forma mais ampla e refinada.


  1. Levantamentos bibliográficos e acervos de fontes primárias

    Um dos usos mais imediatos da inteligência artificial em pesquisas sócio-históricas está na automatização de levantamentos bibliográficos e mapeamentos de acervos. Ferramentas baseadas em IA são capazes de identificar livros, periódicos e documentos disponíveis sobre um determinado tema, além de localizar arquivos públicos e privados com conteúdos relevantes, muitas vezes já acompanhados de links diretos para bases de dados digitais.


    À medida que a pesquisa avança, essas ferramentas podem também sugerir bibliografias complementares e acervos correlatos, ampliando o escopo investigativo de forma dinâmica e personalizada. Plataformas como o ChatGPT, por exemplo, têm sido utilizadas como apoio nesse processo, ajudando a explorar conexões e a descobrir fontes que poderiam passar despercebidas em buscas tradicionais.


  2. Cultura material e reconhecimento de padrões

    Modelos de inteligência artificial já vêm sendo utilizados em pesquisas históricas e arqueológicas para reconhecer padrões visuais em materiais diversos: de tábuas de argila mesopotâmicas a moedas, artefatos e selos. Algoritmos treinados conseguem identificar similaridades e detalhes minuciosos em grandes volumes de dados, inclusive em imagens e registros orais, revelando conexões que poderiam passar despercebidas ao olhar humano.


    No contexto da memória institucional, essa capacidade pode ser aplicada à análise de acervos fotográficos, catálogos de produtos, jornais e revistas, embalagens antigas, entrevistas de memória oral e outros tipos de documentos.


  3. Transcrição de documentos históricos

    Outra contribuição importante da IA está na transcrição automatizada de documentos históricos, especialmente registros manuscritos ou entrevistas de memória oral. Programas como o Transkribus, desenvolvido para reconhecer diferentes estilos de caligrafia humana, vêm sendo utilizados para lidar com manuscritos antigos e documentos paleográficos com grande precisão.


    Recentemente, a equipe de pesquisadores da Raiz Projetos e Pesquisas de História utilizou uma ferramenta similar para localizar a palavra “cooperativa” em atas manuscritas de 1872. Esses documentos, embora digitalizados, ainda não haviam sido devidamente catalogados em um acervo institucional, fundamental para o andamento da pesquisa. A identificação automatizada possibilitou um avanço significativo na descoberta e análise dessas fontes primárias.

    Atas manuscritas das reuniões da Sociedade dos Artistas Mecânicos Liberais de Recife (1872), analisadas com o apoio de inteligência artificial para localizar menções à palavra 'cooperativa' em pesquisa desenvolvida pela Raiz
    Atas manuscritas das reuniões da Sociedade dos Artistas Mecânicos Liberais de Recife (1872), analisadas com o apoio de inteligência artificial para localizar menções à palavra 'cooperativa' em pesquisa desenvolvida pela Raiz

    Outro exemplo do uso da inteligência artificial ocorreu em um trabalho de memória familiar relacionado à imigração chinesa, com desdobramentos importantes para a construção da memória institucional de uma comunidade. No verso de antigas fotografias, havia inscrições manuscritas em ideogramas chineses, escritos em caligrafia cursiva tradicional, o que dificultava a leitura e compreensão do conteúdo. Com o apoio da IA, foi possível decifrar os textos, revelando nomes, datas e referências que contribuíram para enriquecer a narrativa histórica.


    Já em pesquisas avançadas no campo da inteligência artificial aplicada às humanidades, a DeepMind criou o modelo Ithaca, capaz de restaurar textos gregos antigos com alta taxa de acerto. Apesar do avanço, é importante destacar suas limitações: como a maioria dessas tecnologias é treinada com acervos europeus, o desempenho ainda é limitado quando se trata de manuscritos brasileiros, por exemplo.


Visualização do funcionamento do Ithaca, modelo da DeepMind, na reconstrução de trechos faltantes em textos antigos. Imagem: DeepMind
Visualização do funcionamento do Ithaca, modelo da DeepMind, na reconstrução de trechos faltantes em textos antigos. Imagem: DeepMind

ORGANIZAÇÃO DE ACERVOS:


A organização de acervos históricos é uma etapa importante para garantir a preservação, o acesso e o uso estratégico da memória institucional. Trata-se de dar forma, significado e navegabilidade a um conjunto de documentos, imagens e objetos que muitas vezes se encontram dispersos e fora de ordem. Com o apoio da inteligência artificial, esse trabalho ganha agilidade e profundidade, ampliando seu alcance e impacto.


  1. Digitalização e identificação de pessoas em fotografias

    A IA tem sido aplicada com sucesso na digitalização e catalogação de acervos fotográficos. Por meio de sistemas de reconhecimento facial, já é possível identificar indivíduos retratados em registros históricos, mesmo quando não há legendas ou anotações visíveis. Essa tecnologia tem sido usada, por exemplo, em projetos de reconstrução de genealogias, mapeamento de linhagens e identificação de personalidades.


Tecnologias de IA têm sido empregadas para o reconhecimento de pessoas em acervos fotográficos, por exemplo, contribuindo para pesquisas históricas e identificação de pessoas. Imagem: Canva IA.
Tecnologias de IA têm sido empregadas para o reconhecimento de pessoas em acervos fotográficos, por exemplo, contribuindo para pesquisas históricas e identificação de pessoas. Imagem: Canva IA.

Um exemplo de aplicação na memória empresarial e institucional é o uso para identificar colaboradores e ex-colaboradores em acervos fotográficos. Essa tecnologia pode auxiliar na catalogação de imagens históricas, facilitando sua organização e posterior utilização em eventos de homenagem, publicações comemorativas e ações de valorização da trajetória institucional.


  1. Organização e acesso à informação


O desenvolvimento de bases de dados é outra área em que a inteligência artificial tem trazido avanços significativos. Aplicativos baseados em IA são capazes de gerar, em pouquíssimo tempo, sistemas de gerenciamento de acervos que, até alguns anos atrás, exigiriam meses de desenvolvimento e altos investimentos.


Além disso, ao automatizar tarefas como a catalogação e a classificação de documentos, essas soluções contribuem para a criação de bancos de dados mais acessíveis, integrados e consistentes, facilitando muito o trabalho de gestores da memória em primeiro lugar, mas também de pesquisadores e demais usuários que dependem dessas informações para construir narrativas institucionais com profundidade e rigor.


Por fim, sistemas de aprendizado de máquina podem ser treinados para reconhecer de forma automática padrões e categorizações de diferentes tipos de documentos digitalizados, assim como metadados, agilizando o processo de classificação e catalogação de acervos.


  1. Preservação digital


    A preservação digital também tem avançado com o apoio da inteligência artificial. Alguns programas já conseguem aumentar a resolução de imagens digitais, preenchendo automaticamente pixels ausentes, recurso útil tanto para documentos nato-digitais quanto para digitalizações de acervos físicos. Esse tipo de técnica chama-se upscaling. Além disso, algoritmos especializados permitem reconstruir digitalmente trechos danificados ou ilegíveis e melhorar a legibilidade de textos manuscritos ou impressos com falhas.


    Comparativo antes e depois do uso de upscaling para aprimorar a resolução de uma fotografia de Albert Einstein. Imagem: Technipages
    Comparativo antes e depois do uso de upscaling para aprimorar a resolução de uma fotografia de Albert Einstein. Imagem: Technipages

    Essas tecnologias não apenas ampliam o acesso ao conteúdo, como também fortalecem sua preservação a longo prazo, garantindo que os acervos estejam armazenados em formatos compatíveis com os padrões atuais de consulta e durabilidade digital.


EXTROVERSÃO DE ACERVOS:


A extroversão de acervos históricos é uma etapa essencial para transformar a memória em experiência viva e útil para as pessoas que têm interesse nele. Trata-se do conjunto de ações voltadas a revelar, compartilhar e mobilizar os documentos guardados, dando visibilidade pública ao patrimônio histórico por meio de exposições, plataformas digitais, conteúdos editoriais, produtos culturais e outras formas de ativação.


Essa prática aproxima públicos diversos dos acervos, amplia o acesso à informação e fortalece vínculos afetivos e institucionais com a história. Com o apoio da inteligência artificial, essa dimensão ganha novas possibilidades visuais, sensoriais e interativas, contribuindo para ampliar o alcance e o impacto dos projetos de memória institucional.


  1. Valorização visual e sensorial do passado

    Ferramentas de IA têm sido utilizadas na geração e no tratamento de imagens para evocar experiências históricas, ampliando o potencial de engajamento com o conteúdo. As técnicas de upscaling, já citadas anteriormente, permitem melhorar a qualidade de documentos digitalizados em baixa resolução, desfocados ou danificados, tornando-os mais adequados à exposição pública. Além disso, é possível realizar o redesenho digital de imagens deterioradas, processo que deve sempre considerar os limites éticos da reconstrução visual de documentos e personagens históricos.


    Um exemplo emblemático do uso da inteligência artificial para a extroversão de acervos históricos foi a exposição “Eu, amanuense que escrevi…”, realizada no Arquivo Público do Estado de São Paulo. A mostra utilizou descrições físicas contidas em documentos manuscritos por Luiz Gama para reconstruir digitalmente os rostos de 120 africanos libertos por ele entre 1864 e 1866. Os retratos gerados por IA foram exibidos como fotos 3x4, acompanhados de cédulas simbólicas de identidade, em um gesto de reconhecimento e reparação histórica.


    Imagem da exposição Eu, amanuense que escrevi..., que utilizou inteligência artificial para reconstruir digitalmente os rostos de africanos libertos com base em descrições documentais. Imagem: africanizeoficial
    Imagem da exposição Eu, amanuense que escrevi..., que utilizou inteligência artificial para reconstruir digitalmente os rostos de africanos libertos com base em descrições documentais. Imagem: africanizeoficial

    A iniciativa evidencia como a tecnologia poderia ser uma aliada na valorização de trajetórias individuais e no fortalecimento da memória institucional de comunidades e organizações. Ao transformar dados documentais em imagens sensíveis e acessíveis, recursos como esse ampliam o potencial de sensibilização.


    A IA também tem impulsionado a criação de interfaces interativas para a exploração de conteúdos históricos de forma personalizada e intuitiva. No Museu da Vacina, por exemplo, tecnologias digitais são utilizadas para guiar o público em jornadas de aprendizado imersivas, conectando acervos científicos, visuais e narrativos de forma envolvente. Esse tipo de abordagem tem grande potencial para projetos de memória institucional com fins educativos ou comemorativos.


  2. Visualização e comunicação de acervos

    A visualização de dados é mais uma frente em que a IA contribui para a extroversão da memória. Ferramentas de geração automática de gráficos, mapas e visualizações interativas a partir de acervos digitalizados tornam a informação mais acessível e atrativa para públicos diversos. Esses recursos fortalecem o diálogo com a sociedade e ampliam o uso da memória institucional como ferramenta de educação, comunicação e posicionamento institucional.


Limites e responsabilidades no uso da IA

Apesar do enorme potencial da inteligência artificial no campo da memória institucional, seu uso exige atenção quanto a limites técnicos, éticos e epistemológicos. A adoção dessas tecnologias deve ser sempre acompanhada de senso crítico, curadoria humana e responsabilidade histórica.


A confiabilidade das informações processadas por sistemas de IA depende diretamente da qualidade e da diversidade dos dados com os quais esses sistemas foram treinados. Modelos que operam com acervos limitados ou enviesados, como é o caso da maioria das bases de dados centradas em referenciais eurocêntricos, podem reproduzir lacunas, distorções ou até invisibilizar experiências específicas, como aquelas de populações indígenas, negras e periféricas. Por isso, é essencial que os conteúdos gerados ou sugeridos por IA sejam sempre validados por especialistas e submetidos a critérios rigorosos de verificação e contextualização.


Além disso, é preciso refletir sobre o papel do historiador e demais profissionais da memória - bibliotecários, gestores da informação, arquivistas, museólogos, restauradores e conservadores, fotógrafos, designers - na era digital. A inteligência artificial pode automatizar tarefas, revelar padrões ocultos e até sugerir conexões inesperadas, mas não substitui a capacidade analítica, a sensibilidade interpretativa e o julgamento ético que fundamentam a construção do conhecimento histórico. Cabe aos profissionais a mediação crítica entre o dado e o sentido, entre o vestígio e a narrativa.


Tecnologias de restauração, reconstrução visual e transcrição automática, por exemplo, devem ser utilizadas com cautela e responsabilidade. A reconstituição de documentos danificados ou de imagens de pessoas do passado envolve escolhas interpretativas e pode gerar representações que, embora visualmente impactantes, não necessariamente correspondem à realidade histórica. Por isso, é imprescindível que esse tipo de recurso seja explicitado como reconstrução e não como documento autêntico, evitando confusões entre ficção e fonte histórica.


Do mesmo modo, sistemas de transcrição automatizadas, ainda que surpreendentemente precisos, exigem revisão humana atenta. Pequenos erros de leitura podem comprometer a compreensão de passagens inteiras, afetando interpretações e análises futuras.


Em resumo, a IA deve ser vista como uma forte aliada, mas não autônoma, no trabalho com acervos históricos. Seu uso responsável passa pela integração com práticas consolidadas de pesquisa, curadoria e interpretação, para garantir que a memória institucional continue sendo um campo de produção de conhecimento comprometido com a análise histórica rigorosa e contextualizada.


Avanços, limites e o papel humano na Era da IA


A inteligência artificial tem ampliado de forma significativa as possibilidades de atuação no campo da memória empresarial e institucional. Suas aplicações vão desde a otimização de processos técnicos até a criação de experiências sensoriais e interativas, transformando a forma como pesquisamos, organizamos e extrovertemos acervos.


No entanto, é fundamental que o uso dessas tecnologias venha acompanhado de responsabilidade, criticidade e um olhar interdisciplinar. Isso significa reconhecer os limites dos algoritmos, revisar os conteúdos gerados automaticamente e garantir que cada aplicação esteja alinhada com princípios éticos, historiográficos e culturais.


Mais do que adotar ferramentas inovadoras, instituições e profissionais da memória precisam experimentar essas tecnologias de forma consciente e estratégica, sem abrir mão da mediação humana que orienta, interpreta e valida as informações. Afinal, é esse olhar atento que transforma dados em conhecimento, documentos em narrativas e acervos em patrimônios vivos.


Na Raiz temos esse compromisso! Quer conhecer nossos serviços de memória empresarial e memória institucional? Fale conosco.

 
 
 

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