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Memória Organizacional para escolas e universidades

Entenda como instituições educacionais podem usar suas histórias como um diferencial de gestão e na qualidade do ensino



Instrumentos utilizados nos laboratórios escolares compõem o acervo histórico do Centro de Memória da Secretaria da Educação de São Paulo
Instrumentos utilizados nos laboratórios escolares compõem o acervo histórico do Centro de Memória da Secretaria da Educação de São Paulo

Em um mundo em constante transformação, as instituições de ensino desempenham um papel vital na formação de indivíduos e na construção do conhecimento. No entanto, à medida que o tempo passa, é comum que a riqueza de experiências, conquistas e desafios que moldaram a trajetória de uma instituição educacional sejam negligenciadas. É nesse contexto que a memória organizacional pode atuar e ser um recurso valioso.


A memória organizacional representa o legado de uma instituição, capturado não apenas em documentos históricos, mas também nas narrativas e vivências de todos os membros da comunidade escolar. Neste artigo, você vai conhecer os tipos de instituições de ensino e saber como a memória organizacional pode atender às suas diferentes necessidades. Além disso, vai descobrir como começar um projeto de memória organizacional em escolas e faculdades e conhecer exemplos de instituições educacionais que já começaram.


Se você quer saber como a riqueza da história de uma instituição pode se traduzir em melhorias na qualidade do ensino, na gestão estratégica e na conexão com sua comunidade, continue a leitura.


Quais são os tipos de instituições de ensino?


Instituições de ensino são organizações ou estabelecimentos dedicados à transmissão de conhecimento, educação e aprendizado. Elas desempenham um papel fundamental na sociedade, proporcionando oportunidades educacionais em diversos níveis.


Esse tipo de estabelecimento varia em termos de tamanho, escopo, foco e métodos de ensino, mas todas compartilham o objetivo de facilitar o crescimento intelectual e o desenvolvimento das habilidades dos indivíduos.


Alguns exemplos de instituições de ensino são:

  1. Escolas Primárias e Secundárias: oferecem educação básica para crianças e adolescentes.

  2. Faculdades e universidades: oferecem ensino superior com cursos de graduação, pós-graduação em diversas disciplinas, além do desenvolvimento de pesquisas acadêmicas em grupos de estudos.

  3. Escolas técnicas e profissionais: oferecem treinamento prático para carreiras específicas. O foco está em habilidades tangíveis que são relevantes para o mercado de trabalho.

  4. Escolas de artes: voltadas para o treinamento em artes visuais, teatro, dança, circo, música e outras formas de expressão artística.

  5. Escolas de idiomas: concentram-se no ensino de línguas estrangeiras.

  6. Escolas de negócios: oferecem cursos e programas voltados para a administração de empresas, gestão, finanças e empreendedorismo.

Essas organizações podem ser públicas ou privadas, oferecer cursos presenciais, semipresenciais ou à distância (online) e têm em comum a função de desenvolver nos alunos suas potencialidades cognitivas ou físicas e também afetivas.


Memória organizacional e instituições de ensino


Memória organizacional é o legado de uma organização. Formado pelo conjunto de conhecimentos, informações, experiências, práticas e processos adquiridos e guardados ao longo de sua trajetória, esse legado fica registrado nos documentos históricos e também nas pessoas que fizeram e fazem parte da instituição em questão.


No caso das instituições educacionais, além de documentos como materiais didáticos, uniformes escolares, fotografias, boletins de alunos e vídeos, a memória organizacional está nos professores, nos alunos, nos funcionários e até mesmo nas pessoas que fizeram, mas não fazem mais parte delas.


Os centros educacionais têm uma ferramenta estratégica poderosa em seus projetos de memória institucional. Esses projetos consistem na organização e na extroversão de acervos históricos escolares e na realização de pesquisas sócio-históricas sobre essas instituições e seus contextos. Dessa forma, as organizações educacionais podem preservar sua história e garantir que ela seja valorizada e transmitida para as gerações futuras.


Como projetos de memória organizacional podem beneficiar escolas e universidades?


Os projetos de memória organizacional são um recurso fundamental para as instituições de ensino, por permitirem a preservação da história e da cultura da organização, contribuindo para a formação de sua identidade e reputação perante a sociedade. Além disso, esses projetos são úteis na gestão cotidiana da instituição, porque fornecem subsídios para aprimorar suas práticas e processos.


A preservação da memória institucional também é uma forma de estreitar vínculos com seus públicos, valorizando a história pessoal dos que fizeram e fazem parte da escola. A documentação histórica reunida também pode ser utilizada para o desenvolvimento de pesquisas e estudos na área da educação, o que contribui para o aprimoramento do conhecimento e da prática pedagógica.


Confira abaixo as vantagens que esses projetos podem trazer para diferentes áreas das instituições de ensino.


Identidade e cultura organizacional


A memória organizacional preserva a identidade e a cultura organizacional da escola ao longo do tempo, lembrando de valores, eventos, rituais, tradições e realizações que moldaram sua trajetória.


Um exemplo é o colégio Dante Alighieri, fundado em São Paulo por imigrantes italianos em 1911, que tem um centro de memória que preserva a documentação histórica sobre a escola. Um desses documentos é um ônibus escolar da década de 1960 que foi completamente restaurado, tanto em sua parte externa como em suas engrenagens. Hoje em dia, em eventos comemorativos, o ônibus é colocado para circular novamente, lembrando a comunidade escolar de sua história e despertando a memória afetiva de quem andou no ônibus daquele modelo.


Outro documento histórico que compõe o espaço de rotina dos alunos é o sino, cujas badaladas marcavam, em outros tempos, o final do recreio. Hoje, ele fica em uma redoma de vidro em um dos corredores do pátio externo com uma placa que conta a história do primeiro e do segundo sineiro do colégio.


Ônibus escolar da década de 1960 do colégio Dante Alighieri Foto: Jacson Abreu

Alunos do colégio em uma excursão em 1960. Foto: Divulgação

Preservação do conhecimento


As instituições de ensino têm experiência em educação e pesquisa. Um projeto de memória organizacional pode garantir que sejam preservados materiais didáticos, trabalhos escolares e acadêmicos, pesquisas e outras formas de conhecimento que foram acumulados ao longo dos anos.


Outra escola que possui um centro de memória é a Lourenço Castanho. Parte do acervo é composta pelos livros didáticos, paradidáticos e apostilas usadas pelos professores em vários momentos da história do colégio.


O Centro de Memória da Secretaria da Educação da cidade de São Paulo tem também um vasto acervo composto por documentos técnicos e pedagógicos. Dentre estes últimos, cartilhas de alfabetização, jogos didáticos, brinquedos pedagógicos, livros e discos de histórias infantis.


Jogos didáticos e brinquedos pedagógicos parte do acervo do Centro de Memória da Secretaria da Educação da cidade de São Paulo


Transição de pessoal


Quando novos membros da equipe se juntam à instituição, os registros da memória organizacional podem facilitar a integração e a transferência de conhecimento, mantendo a continuidade dos trabalhos.


No colégio Dante Alighieri, o programa de integração dos novos funcionários passa pelo centro de memória, momento em que é possível contar sobre a trajetória da escola, sua identidade, reputação e valores e mostrar a documentação histórica salvaguardada.


Melhoria do ensino


Experiências e práticas bem-sucedidas podem ser documentadas e compartilhadas por meio da memória organizacional. Isso pode ajudar os educadores a melhorar suas abordagens de ensino, aproveitando métodos que já se mostraram eficazes no passado ou a elaborarem métodos novos sem perder a identidade da instituição. O próprio centro de memória pode se tornar espaço de aprendizagem, ou seja, um recurso pedagógico.


Na escola Lourenço Castanho, por exemplo, junto com seus professores, alunos do segundo ano primário consultam o material didático do acervo histórico do centro de memória para debater sobre os “lugares de aprender”, comparando o passado com o presente.


Já no colégio Santo Américo, a equipe do centro de memória participa das reuniões dos professores no começo de cada ano para sugerir usos do acervo histórico em sala de aula. Foi dessas reuniões que surgiu a ideia, posteriormente executada, de desenvolver junto com os alunos nas aulas de ensino religioso um aplicativo de hiper realidade usando obras de artes sacras do acervo do centro de memória, documentos textuais e fotografias.


Gestão escolar, estratégia e inovação


A documentação histórica organizada auxilia a escola a gerenciar e disponibilizar dados, informações e registros de forma rápida e eficiente para as mais diversas áreas como RH, jurídico, comunicação e coordenação pedagógica.


Além disso, a análise de dados e informações históricas presentes nos documentos salvaguardados pode auxiliar as instituições de ensino a tomar decisões estratégicas embasadas, como a criação de novos programas acadêmicos ou a expansão para novas áreas de pesquisa. O histórico da instituição também pode ser uma fonte de inspiração para a inovação e a mudança. A memória organizacional pode revelar momentos em que a instituição se adaptou com sucesso a novas circunstâncias, oferecendo insights para futuras transformações.


As instituições de ensino passaram por grandes desafios com a pandemia da covid-19, por causa da limitação no contato social presencial. Nas escolas de ensino secundário, as soluções tecnológicas adotadas naquele período tornaram-se permanentes e abriram espaço para um tipo de negócio que não era muito explorado: o de cursos online. Segundo dados do Censo da Educação Superior 2021, entre 2011 e 2021, o número de ingressantes em cursos superiores de graduação, na modalidade de educação a distância (EaD), aumentou 474%. Se, em 2011, os ingressos por meio de EaD correspondiam a 18,4% do total, em 2021, esse percentual chegou a 62,8%.


Reputação, marketing e comunicação


A história da instituição pode ser usada para fins de marketing e comunicação para destacar sua reputação, suas realizações e o impacto que teve na comunidade educacional e na sociedade em geral.


Para comemorar seus 50 anos, as Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) criaram em 2018 um website comemorativo que contava sua história em uma linha do tempo, mas também em uma web série com o depoimento de ex-alunos e ex-professores. Uma trajetória consolidada e o peso do depoimento desses renomados e conhecidos personagens ajudava a comunicar o sucesso da instituição e a angariar novos alunos.


Site comemorativo de 50 anos da FMU

Responsabilidade histórica e social


As instituições educacionais estão inseridas em um contexto mais amplo, como o da cidade onde estão inseridas, da história da educação e do público socioeconômico que atendem. Portanto, ao preservar a sua documentação, outras histórias são preservadas também.


Um projeto desenvolvido pela Raiz Projetos e Pesquisas de História que ilustra bem essa realidade foi uma pesquisa sobre a história da infância na cidade de São Paulo para uma exposição com curadoria de Roney Cytrynowicz. Um dos subtemas pesquisados foi infância e educação e grande parte do acervo utilizado era de centros de memória escolares, guardiãs de fotografias, arquivos de áudio e objetos tridimensionais de precioso valor.


Como começar um projeto de memória organizacional?


O primeiro passo de um projeto de memória organizacional em instituições de ensino é sensibilizar a comunidade escolar e convidá-la a participar. Palestras, workshops, mensagens em newsletters, painéis e comunicados em espaços de circulação e redes sociais das páginas da instituição podem ser bons caminhos para contar sobre a iniciativa e solicitar que as pessoas enviem fotografias, vídeos, uniformes e material didático referente a história da escola, por exemplo.


Um programa de história oral que capte a memória de alunos e ex-alunos, professores, ex-professores e funcionários e ex-funcionários, costuma ser bem-sucedido em instituições de ensino, já que esses espaços são muito especiais na vida das pessoas.


Vale reforçar que organizar a documentação histórica acumulada e também recebida a partir das ações de sensibilização é uma etapa fundamental. Nela, atividades como higienização, classificação, catalogação e acondicionamento serão executadas.


Em seguida, o desenvolvimento de uma pesquisa sócio-histórica é uma etapa importante tanto para subsidiar a organização como também para sistematizar as informações e dados encontrados nos documentos.


Por fim, extroverter o acervo para os diferentes públicos é o momento de compartilhar a memória escolar e isso pode ser feito de diferentes maneiras. Pode ser por meio de uma exposição, de um site ou de um livro comemorativo, de brindes, ou disponibilizando o banco de dados para consulta.


Empresas especializadas com equipes profissionais multidisciplinares podem auxiliar as instituições de ensino em cada uma dessas etapas ou na implantação de centros de memória escolares. Se você tem interesse em começar um projeto de memória organizacional, entre em contato com a Raiz.


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